Gramado está entre as cidades-alvo de operação contra esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico

Gramado está entre as cidades onde a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na madrugada desta quinta-feira (11), a Operação Apakani, uma ofensiva de grande porte contra um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a uma das maiores facções criminosas do Estado. A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) e ocorre simultaneamente em cinco estados brasileiros.
A cidade da Serra Gaúcha integra a lista de municípios onde são cumpridos mandados judiciais relacionados investigação, que apura a ocultação e movimentação de recursos obtidos com o tráfico de drogas. Até o momento, 27 pessoas foram presas.
Ao todo, a operação cumpre 28 mandados de prisão preventiva e cinco de prisão temporária. Nove dos investigados já estão no sistema prisional, mas seguem apontados como participantes das atividades criminosas. Também são executadas 69 ordens de busca e apreensão, 59 bloqueios de contas bancárias e 14 medidas de sequestro de veículos.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava uma complexa rede financeira para dar aparência de legalidade aos valores arrecadados com a venda de drogas. Os recursos eram movimentados por meio de empresas, imóveis e veículos de alto padrão.
“Todo esse dinheiro que eles recolhem com a venda de drogas tentam tornar lícito. Para isso, utilizam vários mecanismos, como investimentos em empresas, imóveis e veículos de alto padrão”, explicou o delegado Antônio Carlos Ractz Júnior, da Delegacia de Repressão Lavagem de Dinheiro.
Investigação começou com apreensão de 1,2 tonelada de maconha
As apurações tiveram início em novembro de 2023, após a apreensão de aproximadamente 1,2 tonelada de maconha em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A droga estava armazenada em um imóvel utilizado pela facção criminosa.
Na ocasião, um homem natural de Santa Catarina foi preso em flagrante enquanto descarregava os fardos da droga. A partir dessa ocorrência, os investigadores conseguiram rastrear uma ampla estrutura financeira utilizada para movimentar e ocultar recursos oriundos do tráfico.
De acordo com o Denarc, a organização movimentou pelo menos R$ 21 milhões por meio de operações de lavagem de dinheiro.
“No sistema financeiro era muito complexo, com muita discrição, através de pulverizações, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros, saques e depósitos rápidos. Enfim, uma gama de dissimulações que nós conseguimos comprovar”, afirmou o delegado Adriano Nonnenmacher, da Divisão de Inteligência do Denarc.
Empresas de diversos setores eram utilizadas
A investigação identificou pelo menos 20 empresas ligadas ao esquema nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, entre os segmentos envolvidos estão alimentação, revenda de veículos, refrigeração, eletrônica e prestação de serviços. Algumas empresas possuíam atividade econômica real, enquanto outras eram classificadas como empresas de fachada ou fantasmas, criadas exclusivamente para justificar movimentações financeiras.
“Chama atenção a quantidade de empresas envolvidas. São do ramo alimentício, revendas de veículos, empresas de refrigeração, prestação de serviço em geral, eletrônica. Então é uma gama variada de atividades econômicas, algumas reais, mas muitas também de fachada e fantasmas”, destacou Nonnenmacher.
Conexões interestaduais ampliavam a dificuldade de rastreamento
Conforme a investigação, a facção gaúcha mantinha ligações com grupos criminosos de Santa Catarina e São Paulo para dificultar o rastreamento dos recursos.
A estratégia envolvia transferências, triangulações financeiras e movimentações em diferentes estados, criando um cenário considerado complexo para identificação da origem e do destino dos valores.
“Conseguimos mostrar uma conexão entre essa organização criminosa gaúcha e uma catarinense, e também uma paulista que ainda estamos em diligências. É uma conexão interestadual, que mostra a capilaridade dessa organização”, afirmou o delegado.
Cidades e estados envolvidos
No Rio Grande do Sul, os mandados são cumpridos em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria.
A operação também ocorre em municípios de Santa Catarina, como Criciúma, Balneário Rincão, Lauro Müller, Palhoça e Florianópolis, além de cidades no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A Polícia Civil segue cumprindo diligências ao longo do dia e não descarta novas prisões ou apreensões relacionadas ao esquema investigado.