Ocupação turística fica abaixo do ideal após a Páscoa e acende alerta na Serra Gaúcha

Ocupação turística fica abaixo do ideal após a Páscoa e acende alerta na Serra Gaúcha
Turismo
- Créditos: Caique Marquez

A taxa de ocupação turística na Serra Gaúcha registrou desempenho abaixo do esperado no início de abril de 2026, acendendo um sinal de alerta para o setor. Dados do relatório Flutua Insights, atualizados em 7 de abril, apontam que a ocupação média caiu para 46,5%, índice considerado abaixo do patamar ideal de 60% para o período.

O levantamento, baseado em informações do Sindtur Serra Gaúcha e da plataforma Flutua+, indica que o cenário é influenciado pelo comportamento típico do pós-Páscoa, período historicamente marcado por retração na demanda espontânea. Ainda assim, há expectativa de recuperação no curto prazo, especialmente com a proximidade do feriado de Tiradentes, em 21 de abril.

Durante a Páscoa, o desempenho foi mais positivo. A taxa média de ocupação entre quinta-feira e domingo chegou a 72,3%, com pico de 83,9% entre sexta-feira e sábado, e permanência média de 2,6 dias. Já no consolidado de abril, a permanência média sobe para 3,2 dias, indicando um perfil predominante de turismo de lazer regional.

Esse comportamento é reforçado pelo fato de que 42% das reservas concentram-se em estadias de três a quatro dias, o que aponta para viagens de final de semana prolongado.

Segundo o presidente do Sindtur Serra Gaúcha, Cláudio Souza, esse padrão abre espaço para estratégias de aumento de receita, como incentivo extensão de estadias com descontos progressivos por diária adicional.

"Apesar do cenário de baixa ocupação, o diagnóstico estratégico recomenda cautela na redução de preços. A orientação é preservar a diária média (ADR) e apostar em pacotes com valor agregado, como benefícios extras, em vez de descontos diretos. A lógica é proteger a rentabilidade enquanto se melhora a percepção de valor do destino", destaca Cláudio Souza.

Outro ponto estratégico identificado é a forte presença do mercado gaúcho, responsável por 37% das origens, com Porto Alegre representando 11%. Embora o Rio Grande do Sul seja um mercado essencial e altamente positivo para a região, o Sindtur destaca a importância de ampliar a diversificação da demanda. Nesse contexto, há significativo potencial de crescimento em mercados como São Paulo e Santa Catarina, que juntos já respondem por 29% das origens e representam oportunidades promissoras para a expansão e o fortalecimento do turismo regional.

Entre as estratégias recomendadas para os próximos dias estão campanhas de última hora para reduzir a ociosidade, ações específicas para o feriado de Tiradentes e investimentos em mídia segmentada nos principais mercados emissores. A projeção é de que um aumento de 5 a 7 pontos percentuais na ocupação, sem redução de tarifas, já seja suficiente para impactar positivamente o RevPAR (receita por quarto disponível).

“O cenário, portanto, é de atenção estratégica e aprimoramento contínuo. A leitura dos dados confirma que há demanda, mas também aponta oportunidades para ampliar sua conversão de turistas. O momento exige ações assertivas e alinhadas ao mercado, a fim de fortalecer a competitividade e sustentar o crescimento do destino”, finaliza Cláudio Souza.