Trem para Gramado dá passo decisivo e se aproxima da realidade: Ferrovia entre Capital e Serra avança com autorização ambiental e cronograma definido

O processo de implantação da ferrovia entre Porto Alegre e Gramado deu um passo estratégico na área ambiental, etapa considerada crítica para viabilizar o empreendimento. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) liberou a execução de um diagnóstico completo da fauna ao longo do corredor previsto para a linha férrea.
A autorização contempla os 83 quilômetros do traçado e impõe Sultrens Transportes Ferroviários a obrigação de realizar um mapeamento detalhado das espécies existentes na região. O levantamento terá duração de 12 meses e precisará cobrir todas as estações do ano, garantindo a identificação de animais com diferentes padrões de comportamento — inclusive os de atividade noturna.
O estudo deverá registrar a presença de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, formando a base técnica para a análise dos impactos ambientais da obra. A empresa também terá que entregar relatórios trimestrais ao órgão ambiental, seguindo diretrizes previamente estabelecidas.
Etapa ambiental define viabilidade do projeto
O levantamento autorizado integra a construção do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), instrumentos obrigatórios para empreendimentos dessa magnitude. A Fepam já havia definido os parâmetros técnicos para esses estudos por meio do termo de referência.
A conclusão dessa fase será determinante para a emissão da licença prévia, prevista para abril de 2028. Esse documento indicará se o projeto atende s exigências ambientais. Caso avance, o cronograma prevê a obtenção da licença de instalação até maio de 2029. Só então as obras poderão começar.
Trajeto prioriza menor distância
Enquanto o licenciamento avança, o governo estadual e os responsáveis pelo projeto trabalham na definição final do traçado, com decisão prevista até junho. Entre três alternativas analisadas, foi priorizado o percurso mais curto.
A proposta parte da região do Aeroporto Salgado Filho e segue por Canoas, Esteio, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Parobé, Araricá, Nova Hartz e Santa Maria do Herval até chegar a Gramado, cruzando áreas urbanas e rurais.
Desafio técnico está na Serra
O principal obstáculo de engenharia é vencer o desnível de cerca de 800 metros da Serra Gaúcha. Para tornar a operação viável, a inclinação será distribuída ao longo de um trecho de aproximadamente 12 quilômetros.
Modelo 100% privado e concessão longa
O investimento estimado é de R$ 4,5 bilhões, totalmente financiado pela iniciativa privada. O projeto já recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e segue em análise pela Secretaria Estadual de Logística e Transportes.
Dentro da estrutura do governo, a articulação que antes estava com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, sob Ernani Polo, passou a ser conduzida por Leandro Evaldt. A proposta se enquadra na legislação federal de 2021 que permite a exploração ferroviária por autorização, com possibilidade de concessão de até 99 anos.
Operação mira turismo e pode incluir carga
A expectativa é que o trem reduza significativamente o tempo de deslocamento entre a Capital e a Serra, com viagens de pouco mais de uma hora. O projeto foi desenhado para captar ao menos 10% do fluxo turístico em direção a Gramado e Canela.
A operação deverá ocorrer entre 8h e 1h, com capacidade de até 250 passageiros por viagem. Existe ainda a possibilidade de utilização da ferrovia para transporte de cargas durante a madrugada, dependendo da viabilidade operacional.
Inicialmente, o modelo não prevê paradas intermediárias, mas essa decisão poderá ser revista caso estudos indiquem potencial econômico em pontos específicos do trajeto.
Cronograma aponta operação em 2032
Após a liberação das licenças, a construção deve levar dois anos e nove meses. Em seguida, haverá um período de seis meses de testes antes do início da operação comercial. Se todas as etapas forem cumpridas dentro dos prazos estimados, o sistema poderá entrar em funcionamento em 2032.
Custos extras e histórico da ligação
Além do investimento principal, cerca de 10% do valor total deverá ser destinado a desapropriações ao longo do traçado. A ligação ferroviária entre Porto Alegre e a Serra não é inédita: o trajeto já existiu no passado, mas foi desativado em 1963.